26/08/09

Memórias


Depois de algum tempo ausente, hoje deixo um bonito poema da amiga Cacilda que gentilmente o facultou para o meu bloguinho.
A foto foi também cedida pela mesma amiga.

Obrigada, Cacilda!
!É bom recordar!


MEMÓRIAS

O Bairro de minha infância
nasceu bem pequenininho
mas cresceu devagarinho
cheio de amor e carinho
como se fosse criança.

Com canteiros a florir
e casas muito singelas
um namorico à janela
e as portas sempre abertas
antes de Abril as abrir.

Ao som da telefonia
ouvia-se o corridinho
a guitarra e o fadinho
a flauta e o cavaquinho
com a maior harmonia.

E nas noites de luar
alguém tinha para contar
uma história, uma poesia
olhando p'ró firmamento
recuperavam alento
p'rá luta do novo dia.

Óh gente boa do meu Bairro
tão grande foi teu destino!
vives aqui bem pertinho...
cruzaste o céu... e o mar...
mas seja qual for o lugar
tens sempre p'ra recordar
a magia deste cantinho.


Cacilda


03/08/09

Furacão ladrante


A campainha toca, a Nina salta e o caos instala-se.
É sempre assim... aliás,... nem sempre!!
Eu já disse: _Se eu um dia morrer do coração já todos sabem de quem é a culpa!

O meu mundo é um mundo de silêncio.
Amo o silêncio, vivo o silêncio, respiro silêncio.
Sempre (quase sempre) a Nina, eu e o silêncio, amigos inseparáveis.

A Nina é um bicho pacato, pachorrento, preguiçoso, um come-e-dorme em idade já meio avançada.
Em certos aspectos é um pouco como a dona: "_Não me chateiem, que eu não chateio ninguém!" E mesmo que queiram "picar" que se lixe! fica a frustração para quem não recebeu o troco que esperava.

Mas a Nina tem assim umas pancadas (também um pouco como a dona!!).
Tem alturas que não se passa nada, não vê nada, não ouve nada, não cheira nada... fica ali, apenas na sua!
Mas tem outras alturas... valha-me Deus!!
O meu furacão ladrante parece impulsionado por uma mola oculta, e depois sabe-se lá onde está o botão que desliga aquela coisa.
Em questão de segundos o meu coração vai ao céu, beija S. Pedro e volta à Terra.
O que era silêncio e quietude é agora uma explosão ensurdecedora onde não há onda sonora que aguente, e os meus tímpanos também não.
Até dá que pensar como uma coisa tão pequena pode fazer tanto barulho!
E vá lá desliga-la!... Nem ameaças, nem gritos, nem pancada, nada!... Alguma vez!?
E quem é que consegue ouvir a própria voz no meio daquilo?!
Só há um jeito, a única maneira que eu descobri para calar a situação: pegá-la no colo e apertar-lhe o focinho negro.
Mas aí,... Imagina que ela não pesava os seus 10 kg bem gordinhos, mas sim os quase 40 da "vizinha" lá de baixo!!! A essa nunca ouvi a voz.
Enfim, do mal o menor!!
E é ainda a forma de exercitar este meu coração!!

Filó (2006)

24/07/09

Meu rio


O meu rio desagua em ti.
Silêncio e grito.

Infinito
que para ti corre
e que não morre
no meu cantar.

Ahh o silêncio!!!...

Queres que to diga?
Queres que to conte?

Como fazer
se desta fonte
há uma cantiga
sempre a brotar!?...

* * *

Leva
Leva o meu ser!
Leva-o e desvenda-o
abre-o em ti, bem devagar,
e faz do meu grito neblina leve
p'ra que a madrugada
o torne breve ao despertar.

Leva meu rio
faz o teu fado
a tua pausa,
o teu recanto...

E o meu canto
ao ser ouvido
só para ti fará sentido.

Filó (2008)

22/07/09

Minhas mãos

Minhas mãos
Porque teimam meus dedos em escrever
Frases loucas, longas, sempre iguais?
Se as palavras se tornam tão banais
E por mais que escreva, tudo fica por dizer...!?

Porque me entrego a este bálsamo que é castigo
Porque me dou e me escondo em tais enredos
Se as rimas nunca tiveram p'ra mim segredos
E se afinal não tem valor tudo o que digo!...?

Não passam de momentos, sonhos sem lei...
Repouso e cansaço, frases aos ventos
Onde me reencontro com os meus mil "eus"

Depois... mas depois já encontrei
Destas minhas mãos ensinamentos
Que me pergunto se não estará
ali um pouco a mão de Deus...

Filó (2006)

17/07/09

... Derivações


Habituei-me a ouvir: "É bonito! Arrepia-me... mas não entendo!!"

Sorrio. Se "arrepia" chegou ao destino.


Por outro lado, alguém disse: "Gosto. Já li várias vezes... mas não tens receio de te expor?!"
Voltei a sorrir. Todos nos "expomos" de um modo ou outro. Não há como evitá-lo!

Mas, expor o quê? Expor-me a quem?!
Pensando bem... exponho sim!


Exponho a alma que existe em mim

Raiva e Amor, paixão, desejo...
Exponho a vida tal como a vejo

Ao sol, à sombra, princípio e fim


Palavras soltas sem terem voz

Emoção, loucura e pesadelo
Mas também sei que em paralelo

serei o espelho de alguns de vós

Se a minha mão não tem um freio
e do meu peito agarra o grito
nesta bênção, talvez castigo


Neste condão que comigo veio

não estarei só, eu acredito:

-Nesse "arrepio" tu estás comigo!


Exponho sim! Mas sobretudo perante mim e Ele.
Os outros... os outros vêem o que poderem ver!

Filó (2009)


16/07/09

Milagre de Amor

No livro colectânea Alameda dos Poetas de 1993
página 73

Milagre de Amor
Singela homenagem a todas as mulheres que enfrentam a vida com aquela coragem e determinação que só o Amor pode transmitir!
Beijinho para ti, tia!!



Mulher,
quem te dá teu valor?
Quem olha para ti e diz :
"_ Muito obrigado pela tua valentia!" ?...

...

Mulher,
tu que sofreste as maiores agruras da vida
palmilhando montes e vales
sob sol ou chuva fria
correndo atrás de um sonho
só com esperança para te alimentar...
diz-me:
quem te deu forças para continuar?

Viste o teu homem partir
envolto no véu negro da morte
e tu tão frágil, foste tão forte!...

Com teus filhos nos braços
sozinha te viste nas encruzilhadas da vida.
Mulher moça, mas tão sofrida!

Sofreste a tortura da solidão
e nas encruzilhadas dos caminhos
não encontraste compreensão
mas asquerosas propostas
de quem se queria aproveitar de ti...
Mas tu foste forte
e soubeste dizer -Não!

Pegaste teus filhos, aqueles pedacinhos de ti
e partiste para a luta.
Lutaste contra tudo e contra todos
numa força até para ti desconhecida;
e do nada que então foste
hoje és Alguém na vida!

Mas quem vê onde hoje estás
triunfante da tua glória,
não sabe olhar para trás,
ver o caminho que percorreste,
tudo aquilo que tu sofreste
para conseguires a vitória.

E se houve algum milagre
que te trouxe esse esplendor
Para mim foi certamente
Um Milagre do Teu Amor

Filó(1988)

14/07/09

Alentejo Litoral




Alentejo Litoral
Linda praia, meu encanto
neste azul, o meu recanto
como tu não há igual

O mar belo: esplendor|
Natureza assim tão bela!
Extasiada fico a vê-la
cada vez com mais amor

P'la avenida já desfila
o cântico que te embala
nesta suave claridade

esta luz que em ti cintila
é a voz que por ti fala
ó minha linda cidade!

Filó (2009)

Maresias... introdução


Porque escrevo?
A resposta imediata seria: -não sei!
Resposta fácil que me ilibaria de pensar, de chegar lá ao fundo, de ir mais além, de mexer e remexer onde evitamos ir... Mas eu vou. Gosto de ir. Afinal é aí que encontro as respostas. Pode até doer um pouco, mas em todas as feridas tem que haver dor antes de sarar.
Também muitas vezes dói escrever, e eu escrevo! Nem há como evitá-lo.
Porque escrevo?
O difícil não é sabê-lo, o difícil é admiti-lo perante os outros, dar a cara... aos outros... sempre os outros: eternos fantasmas rodeando a assombrando; como se não fossemos todos feitos da mesma matéria ao nascer e ao morrer. Como se não estivéssemos todos no mesmo barco!
Enfim!...

Afinal, porque escrevo?
Por tantas razões, e por nenhuma!

De muito cedo enfrentei a barreira da comunicação.
As palavras faladas não preenchiam os vazios da minha necessidade.
(E ainda hoje poucas vezes preenchem! Ou porque são raras, ou porque pouco as encontrei, ou até, porque também eu nunca aprendi como falá-las...)
Desde muito cedo recorri à palavra escrita para satisfazer a ânsia de tomar contacto com outros conhecimentos, outras ideias, outros ideais e foi assim que entrei num mundo abstracto, diferente, mágico até, onde podia viajar, experiênciar e aprender sem sair do lugar e, sobretudo, sem me expor. Isso sim era-me permitido, e eu devorei tudo quanto me passou pela mão na altura. ... Agora não tanto!
Depois, verifiquei que podia fazer o inverso.
Podia ser eu a dar asas ás palavras que fluíam e se multiplicavam cá dentro e que não tinham como sair para o mundo exterior. O meu escape que asseguraria, de certo modo, o meu (talvez) equilíbrio durante uma grande parte da minha vida.
Ali eu era mais Eu, sem contestação!

Uma fuga ainda inconsciente no início, mas que se tornou presente pela vida fora.

Não importava que ninguém soubesse, o importante era o prazer a liberdade que isso me trazia.
As viagens ao interior de mim, as minhas constatações, a descoberta do meu Eu, as minhas raivas, as minhas revoltas, os meus pequenos/grandes segredos e, sobretudo, o aumentar da compreensão de pequenas/grandes questões com que me defrontava no dia a dia, ali, no meu pequeno mundo de palavras.
A musicalidade das sílabas entretanto encantava-me, tornaram-se um jogo fascinante, e assim nasceram os primeiros "poemas"... O casamento perfeito fundindo a emoção/palavra numa droga tomada a pequenos goles, um prazer/dor confundidos e muitas vezes amargos.

Muito mais tarde tomei a liberdade de mostrar alguns desses meus "segredos".
Chamaram-lhes sensibilidade, chamaram-me poetisa!
Se o sou, ás vezes mais valera não ser!... Mas enfim...

E assim aqui chego.
Poetisa ou não, não me interessa por demais. Nunca me interessou.
O que interessa, isso sim, é a chama que vem não sei de onde, que abarca tudo e me lança num mundo de palavras e que são, só e apenas, algo aqui dentro a querer projectar-se e expandir-se.

E é tudo talvez, ou algo mais ainda que me impulsiona a escrever!
E um dia saberei mais.


Filomena Vilhena (Filó)

Poema a muitas mãos

De uma pequena brincadeira podem surgir resultados espectaculares!
Uma prova disso é este poema a 8 mãos
onde a amizade e a partilha colocou este grupinho em sintonia num objectivo comum.

Obrigada, amigas, pelo resultado!
Estamos todas de PARABÉNS!!


VIAJO NAS ASAS DO SONHO - - Filó

SONHO É IMAGINAÇÃO E ENCANTAMENTO - - Ana

NESSAS ASAS EU ME PONHO - - Zézinha Coelho
À ESPERA DE UM GRANDE MOMENTO - - Paulinha

DE ESTRELAS ESPELHADO - - Cila
NO AZUL DO FIRMAMENTO. - - Cila

LEVO COMIGO AMOR E ALEGRIA - - Fernanda
E A ESPERANÇA NO DIA QUE VEM - - Ivone
DEIXO PARA TRAZ A NOSTALGIA - - Cacilda

E A MONOTONIA TAMBÉM - - Cacilda

NA IDEIA, UM SORRISO DE CRIANÇA - - Cila

E A PAZ DE UMA VIDA DE BONANÇA! - - Fernanda

COMO SOU FELIZ SONHANDO!! - - Zézinha Coelho

PINTO A CORES O MEU PARAÍSO - - Filó
DE BABILÓNIA JARDIM FLORIDO - - Cacilda

DOS PECADORES NÃO FAREI JUÍZO - - Cila
OLHO EM FRENTE E VOU CAMINHANDO - - Ivone

SEMPRE COM UM GRANDE SORRISO - - Paulinha

E NESTE VIAJAR DE ALQUIMIA - - Cacilda
FAÇO MAIS FELIZ O MEU DIA - - Filó

COM UMA VARINHA DE CONDÃO - - Ivone

E SE O SONHO ME ACORDAR - - Cila

CONTINUAREI A SONHAR!... - - Paulinha

... NÃO HAVERÁ MAIS SOLIDÃO. - - Filó


11/07/09

Frustração


Continuando a rever velharias encontro uma revista "Maria" nº 900
que data de 7/2/96.
Lá, este poeminha num passatempo que faziam nessa altura
Classificado em 1º lugar dessa semana

Frustração

Quem nunca teve ou não terá
Sentimentos em desalinho num turbilhão
Ânsias e desejos em furacão
Certezas, dúvidas e medos desencontrados

Respostas que se procuram sem encontrar
Lágrimas, soluços e desilusão
Rios de tinta ali jogados pelo chão
Palavras sem nexo pairando pelo ar...

Olhos abertos perfurando a escuridão
Uma mão crispada sem apertar
Sonhos, sombras e mitos em confusão
Enredos, paixões e medos de Amar...

Ser pecador, ser acusado...
Ser réu e carrasco do próprio Ser
Tortura, desequilíbrio : - frustração!
Preço elevado para se Crescer!

Filó (1995)