18/05/09

Poesia popular

Rico quadro a aguarela
A voz do povo a cantar
Simples, pura e singela
É a poesia popular


Recordo alguns poetas
Que escutei um dia
Lembro com simpatia
Seus triunfos, suas metas
Alguns mesmo analfabetos
Mostravam grandeza tão bela
Que nos envolviam nela
No encanto, na melodia
Eu também vivi um dia
Rico quadro a aguarela

Rimas com todo o rigor
Almas puras com carinho
Rimavam o pão com o vinho
Da merenda e do suor
Traziam também sua dor
Envolta no verbo amar
O que a vida tem para dar
Era musa de inspiração
Ouvi muitas vezes ao serão
A voz do povo a cantar

Às vezes era tristeza
Outras vezes a alegria
Outras ainda, a nostalgia
Que inundava a redondeza
Eu vivi essa beleza
Vi o quadro pela janela
Pintei um pouco essa tela
Dei-lhe um pouquinho de mim
É parte do meu jardim
Simples, pura e singela

Esses poetas já não vejo
Para onde foram não sei
Talvez eu que me afastei
Seguindo outro desejo
Mas se fores ao Alentejo
A qualquer outro lugar
Irás decerto encontrar
Simples mas com emoção
Vozes que falam ao coração
É a poesia popular

Filó (2006)



2 comentários:

Anónimo disse...

Olá, Filó, quero-te dizer que adorei, este teu poema, faz me lembrar o passado, o tempo em que ouvia e dizia a minha poesia na rádio.Bons tempos!

Já agora parabéns pelo blog cada vez mais bonito!

Beeeeeeeeijos amiga.Zézinha Coelho

Filomena disse...

Tempos de boas recordações, é mesmo!
Beijinho e obrigada pelo carinho.
Filó