23/05/09

O rasto e o resto


E a palavra morreu!
Colho o grito rasgado nos dedos.

Sombras e medos devoram a noite.
A verdade liberta-se entre o sonho e a madrugada
e já nem importa!

Sou a ronda dos ecos, o silêncio e a metáfora.
O túnel de vento e a casa de espelhos...
O carpir das misérias do abstracto de mim.

Que se danem os retratos a óleo fieis aos contornos!
Que se danem os preceitos e conceitos já pré digeridos!
Que se danem os nós e os laços!

Sou de mim mesma o palhaço, a raiva e o delírio
a paz e o martírio do pioneiro solitário!
o Norte e o Sul
o gelo e o fogo
o átomo e a galáxia
o raio que passa (ou que me parta...) sem saber onde vai...

Sou o calvário de planar no meio-termo.
O inferno em labirintos de algodão!

Cabeça de vento e pés no chão
arranco o sustento no mel e no fel de mim mesma!

O rasto fica nas passagens oblíquas
O mar já lava o cântico das musas.
A arte é o foco da criação.

Na mão, o latejar das palavras.
Na voz, a paz da mordaça que se aprendeu...
E que se dane o silêncio, a palavra e o grito:
No meu infinito sou mais do que isto
sou muito mais do que eu!

Filó (2008)

2 comentários:

Cacilda disse...

Já tinha pensado se tu estás agora mais dedicada à arte de trabalhar fotos e desenhos do que à poesia, pois os teus poemas, lindos, são quase todos de anos anteriores... mas este é do ano passado.
E este ano tens feito alguns? Claro que não falo daqueles pequeninos.
Bjs
Cacilda

Filomena disse...

Amiga Cacilda

Deste ano, pouca coisa mesmo!
A inspiração anda arredia...
... mas mais dia menos dia
estará de chegada
e virá de rajada,
que bem a conheço!

E então, para meu castigo
direi pra comigo
"Meu Jesus Cristo!
Livra-me disto
que eu não mereço!"


De qualquer modo, tem alguns deste ano aqui no blog.

"O quadro"
"...a cantilena"
"Tudo nós"
"Neblina"...

Estes são os que me lembro assim de repente...

Beijinhosss

Filó