09/04/09

A nu


Resistes
mãos cheias de nada à margem da lei.

Rosas e cardos são teus
fogo e semente, e até o orvalho.

Insistes
Fincas os dedos na orla do sonho
espreitas o delírio...
Desistes!

Escancaras a janela, a porta e a veia.
Revês a matéria: "...e cada um colhe o que semeia"...
Tão certo!

Mais perto, lá dentro, o mundo que gira às avessas
de dentro p'ra fora... de fora p'ra dentro...

É a fome, o deserto, o medo e a farpa...
A fala da gente que veio,
da gente que está, da gente que foi...
A fera que espreita. Voraz!...

Que nada!
Lá fora é paisagem, espectáculo, cenário.
Livro de ponto escrito ao contrário na orla do delírio à margem lei.

Ah a imagem!... A imagem!...
O Menino de barro, o Deus que nos valha!

Travas a batalha de dentro p'ra fora, de fora p'ra dentro.
Roda que roda, geme que geme.

Floresces na semente que não é a tua
Suga-te a seiva. Rasga-te a pele.
Corres para a rua: _Onde estou eu?!
Lembras-te do espelho: _Olá! Está aí alguém?

Há gente que vai, há gente que vem.
Que passa, desfila, persiste e insiste:
_Tu és Eu! Eu sou Tu!

Olhas-te a nu. Repleto/Vazio.
Não és nada, mas tudo és!
És o prado e o rio que a teus pés
te grita que és pó, que és barro, és pedaço de terra...
Espreitas à beira do delírio.
Que mais te resta?!

Abres a fresta da orla do sonho
Levantas-te e cais... vais e regressas...

De dentro p'ra fora, de fora p'ra dentro...

Insistes.
Persistes.
Resistes.

Recolhes o fruto, mas esqueces a semente!...

Filó (2008)

2 comentários:

Anónimo disse...

Filó,parabêns, pelo teu blog, é lindo, bastante convidativo, a mais visitas.Este teu poema está simplesmente FANTÁSTICO!És uma poetiza com P grande.Beijinhos.

Filomena disse...

Deduzo que seja a Zézinha L. a deixar comentário...
Obrigada por teres vindo e deixado essas palavrinha bonitas!
:D
Espero mais visitinhas!
Jokinhas
Filó