06/04/09

Era uma vez...

Era uma vez um dia.
Nesse dia nasceu Coisa Nenhuma.
Coisa Nenhuma tinha um pai e uma mãe como toda a gente. Mas toda a gente era alguém e os pais de Coisa Nenhuma também eram gente.
Só Coisa Nenhuma não sabia se era alguém e tão pouco sabia se seria gente.
Vivia fora de tempo, saltava à corda com o vento, cantava canções ao relento e toda a gente que passava nem olhava, indiferente.
Falou com as estrelas, dançou nas alturas, vagou pelo espaço, ás vezes tropeçando, outras se erguendo... rasgou a carne, sarou as feridas, jogou ao agarra e às escondidas com o tempo por onde passou.
E assim, Coisa Nenhuma avançou meio fora do mundo.
Mas um dia, de repente, Coisa Nenhuma encontrou-se e olhou-se de frente no Lago Profundo, o Lago da Vida. Pensou então se seria só e apenas um pensamento, impalpável e transparente como o luar na noite quente... ou um pouco a alma daquele lago de toda a gente... e se toda a gente não andaria no fundo também perdida...
Subiu um degrau, apenas um, e olhou o reflexo no lago agitado.
Olhou e pensou num mistério guardado, a ser revelado, da sua existência de ser Coisa Nenhuma.
Olhou, e de repente vislumbrou o reflexo de Alguma Coisa!!
Alguma Coisa falou-lhe dos quês e porquês da existência. Das voltas e reviravoltas do nada e do tudo, dos espaços perdidos, dos encontros e dos desencontros... dos mistérios do infinito...
E Coisa Nenhuma viu que afinal era alguma coisa!
Coisa Nenhuma e Alguma Coisa fundiram-se então no Eu.
Eu, a nova compreensão, voga agora pelos espaços, olha as estrelas e aprende a sentir que afinal é parte integrante daquela gente que passa mas agora diferente.
Eu, a fusão Coisa Nenhuma/Alguma Coisa, segue o caminho, a sua rota, atento às mudanças, às reacções, à unidade infinita daquilo que É, daquilo que foi...
Eu, continua por aí, em todo o lado, em lado nenhum, pisando caminhos, mergulhando oceanos, desbravando espaços. Talvez aqui, talvez aí, mostrando o novo EU de Coisa Nenhuma!


Filó (2006)

5 comentários:

aeiou disse...

"Coisa Nenhuma" também me sinto ao pretender aqui expressar "Alguma Coisa" que transmita o quanto gostei deste encontro com o Lago da Vida!

Para si e para a Zézinha, uma "Feliz Páscoa".

Um beijinho
cila

Cacilda disse...

Lindo!

Era uma vez...

“Mais Um Dia”

Ao cair da tarde
O sol se esconde no horizonte
Dourando o cimo do monte
Mais um dia vai findar
Dia de trabalho
De tristeza, de melancolia
Mais um dia,
Mais um dia,
Contando no calendário
Mais um dia solidário
Ficou no meu coração
Mais um dia vai surgir
De paz, amor e alento
E então,
Ágil como o pensamento
Voo nas asas do vento
Para o além,
Sem fronteiras
Depois, num ninho de esperança
Tendo Deus por companhia
Ao cair da tarde
Eu pedirei
Mais um dia,
Mais um dia.


(Antónia Romão)


Filó
Como não posso pôr aqui fotografias, vou pô-la no "aeiou", vai lá buscá-la, sim? e espero que gostes do poema da nossa amiga.

beijinhos
Cacilda

Filomena disse...

Obrigada, Cila!
Pelo comentário e pelos votos.
Em nome de nós duas, um Muito Obrigada e também os votos de uma Páscoa muito Feliz para si e os seus.
Beijinhos da
Filó
e da Zézinha.

Filomena disse...

Cacilda, Obrigada por ter comentado!
O poema da amiga Antónia Romão, eu adorei! Irei colocar assim que preparar a foto. Já a recolhi lá do aeiou, se quiser pode eliminar de lá, ...ou deixar, não sei.
Beijinho e uma Páscoa muito Feliz

Filó

Cacilda disse...

Agradeço e retribuo os votos de Páscoa Feliz, extensivos também à nossa amiga Zézinha.
Beijinhoa
Cacilda

Obs. Fico contente por gostares do poema e da foto, espero. É que quem dá aquilo que tem a mais não é obrigado...